‘Aldeia Pintada’ da Batalha grava em disco cantigas de antigamente

(Agência Lusa)

As histórias musicadas que conservam a memória da pequena aldeia da Torre, no concelho da Batalha, distrito de Leiria, estão eternizadas num disco que o projeto “Aldeia Pintada” gravou para evitar a perda desse património imaterial.

Ao fim de cinco meses de gravações com a população local, “O lugarinho da Torre” chegou às mãos e ouvidos dos habitantes da aldeia, que se tornou famosa no último par de anos pela arte urbana que dá vida às paredes das casas.

Iniciativa de um grupo de jovens da zona, “Aldeia Pintada” conhece agora nova fase com a fixação em disco dos poemas de Manuel Rodrigues de Oliveira Marcelino, nascido na Torre no final do século XIX, textos que ao longo do século passado se tornaram letra de músicas cantadas, sobretudo durante o trabalho no campo ou nas festas que alegravam as eiras.

“Havia um grande arquivo [de músicas], mas não estava registado. Era tudo da tradição oral e vai-se perdendo à medida que as pessoas vão desaparecendo”, explicou Eva Vieira, uma das responsáveis de “Aldeia Pintada”.

Por essa razão, alimentava-se na Torre a ambição de gravar em disco o património de cantigas locais, “para não se perder esse legado”.

No disco, além dos temas cantados a partir dos textos do poeta popular Manuel Marcelino, há ainda poemas de duas moradoras e um improviso ao realejo.

A temática do disco reflete a etnografia e evolução daquele lugar, desde o resinar às marchas, da emigração para França à chegada da eletricidade à Torre, em tempos conhecida por Torre da Magueixa.

“Os poemas giram à volta de vários eventos ou do trabalho árduo de outros tempos”, resumiu Eva Vieira, lembrando a reação que o disco provocou.

“A aldeia recebeu muito bem. Sempre que fazemos alguma coisa em que se note que estamos a preservar ou a valorizar o património local, isso traz muita alegria. O mais animado foi mesmo juntar toda a gente”.

As gravações decorreram desde agosto de 2021 e mobilizaram 19 mulheres e homens da Torre, coordenados pelo músico e técnico de som Nuno Rancho, da editora Omnichord, que assumiu a edição ao abrigo do programa Garantir Cultura.

“Gravámos cantares, algumas histórias e até um improviso de um senhor da terra que toca realejo. Havia muito material e muita coisa ficou de fora”, contou Nuno Rancho, que fez amizades com os habitantes da Torre durante o processo: “Até estamos já a combinar um jantar para quando a pandemia acalmar”.

A par da edição física, o disco “O lugarinho da Torre” está disponível também nas plataformas digitais na internet.

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